Movimento de Expressão Fotográfica (MEF)

O ano de 2025 marcou um momento particularmente significativo na história do Movimento de Expressão Fotográfica (MEF), assinalando 25 anos de atividade contínua dedicados à promoção da fotografia enquanto prática artística, ferramenta educativa e instrumento de intervenção social.

Ao longo deste ano, o MEF consolidou o seu posicionamento enquanto estrutura cultural de referência, aprofundando projetos de formação, criação artística, edição, mediação cultural e trabalho comunitário, em estreita articulação com entidades públicas, privadas, académicas e do setor social.

Janeiro

Concretização do Projeto “O que pode uma imagem falar projeto artístico e pedagógico desenvolvido pelo MEF – Movimento de Expressão Fotográfica, em parceria com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

Dirigido a jovens entre os 14 e os 20 anos em cumprimento de medida tutelar de internamento, o projeto assenta na prática da fotografia e do vídeo como meios de expressão pessoal, reflexão e construção de identidade.

Este projeto propõe um percurso contínuo de aprendizagem artística, técnica e emocional, adaptado aos diferentes regimes educativos (aberto, semiaberto e fechado). Através da imagem fixa e da imagem em movimento, os participantes exploram temas como o autorretrato, a representação do espaço, a memória e o quotidiano, desenvolvendo um portfólio fotográfico individual e um projeto em vídeo.

Mais do que ensinar técnicas, “O que pode uma imagem falar” promove processos de reconhecimento, validação e comunicação, possibilitando que cada jovem se veja e seja visto de forma digna, criativa e transformadora.

ESTA EDIÇÃO decorreu entre abril de 2023 e julho de 2025 em três centros educativos da área de Lisboa (Centro Educativo Padre António Oliveira – Caxias, Centro Educativo da Bela Vista – Lisboa, Centro Educativo Navarro Paiva – Lisboa) e contou com o apoio financeiro do novobanco, através da campanha Contas com Gestos que Contam


Concretização de Histórias do Povo Cigano projeto fotográfico e audiovisual que utiliza a imagem como meio de expressão, valorização e diálogo intercultural. Através da fotografia e do vídeo, procura-se dar voz às comunidades ciganas, promovendo uma representação construída a partir do interior da própria comunidade e combatendo estereótipos negativos ainda persistentes na sociedade maioritária. O projeto pretendeu ser um espaço de participação ativa, criação colaborativa e reflexão crítica, utilizando a fotografia e o vídeo como ferramentas de mediação cultural e de capacitação, tanto a nível técnico como no domínio do autoconhecimento e da valorização identitária. O projeto contribui para o fortalecimento de competências e para a promoção de um diálogo mais justo e inclusivo entre comunidades. 

Este projeto decorreu entre setembro de 2024 e julho 2025, em parceria com a  Costume Colossal com o financiamento da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes.


Fevereiro

Ação internacional — São Tomé e Príncipe

Desenvolvimento de uma ação do MEF em contexto internacional lusófono, enquadrada numa lógica de intercâmbio cultural e reflexão sobre a imagem enquanto instrumento de leitura do território, da identidade e da memória, reforçando a dimensão transnacional e intercultural da associação.


Apresentação editorial — “A Cidade dos Lugares de Pessoa

Apresentação pública do livro de fotografia documental A Cidade dos Lugares de Pessoa, na Casa Fernando Pessoa. Edição do MEF com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, reunindo autores, parceiros institucionais e público, num momento de valorização da fotografia enquanto narrativa urbana, literária e identitária.


Março

Conversas académicas e institucionais

Participação na iniciativa Na Conversa com…, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, integrada no Curso de Curadoria de Exposições.
Reflexão centrada no impacto do projeto Ver com Outros Olhos, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do programa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

No mesmo período, o MEF foi convidado a desenvolver sessões de reflexão sobre os seus projetos de dinamização social:

  • na Universidade Católica Portuguesa, no âmbito da Pós-Graduação em Práticas Artísticas e Inclusão Social (PAIS);
  • e na Universidade Lusófona, promovendo o debate sobre a fotografia como ferramenta de transformação social em contextos comunitários.

Apresentação do Livro “A cidade dos lugares de Pessoa” no programa da Rádio Movimento PT Online numa edição do programa “Fernando Pessoa para todas as pessoas”, com Ricardo Belo de Morais.


Abril

Curso de Iniciação à Fotografia

Início da primeira edição do Curso de Iniciação à Fotografia, com forte componente teórica e prática, incluindo:

  • fundamentos técnicos da fotografia;
  • leitura e composição da imagem;
  • saídas fotográficas orientadas;
  • trabalho em laboratório de fotografia preto e branco.

Esta formação constituiu um dos eixos estruturantes da atividade do MEF, promovendo o acesso à prática fotográfica a públicos diversificados.


Maio

Workshop de Fotografia de Teatro — FATAL

O MEF, em colaboração com a Universidade de Lisboa, organizou o Workshop de Fotografia de Teatro, proporcionando uma experiência prática e intensiva de cobertura fotográfica da 24.ª edição do FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa.

O workshop integrou:

  • uma componente teórica dedicada às especificidades da fotografia de cena (luz, ritmo, enquadramento, ética e direitos de imagem);
  • uma componente prática desenvolvida ao longo de todo o festival, envolvendo a captação dos espetáculos e a documentação do ambiente e das atividades paralelas.

A coordenação no terreno esteve a cargo de Tânia Araújo, com acompanhamento pedagógico de Luís Rocha.


No Centro Cultural de Carnide na festa final dos cursos de formação da Academia Sénior/Espassus 3g da Junta de Freguesia de Carnide, apresentação do trabalho final do Curso de Iniciação ao Vídeo promovido pelo MEF.


Julho

Oficina “Pedifoto das Palavras”

Oficina de fotografia orientada por Tânia Araújo, realizada na Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, na Sertã, integrada na Maratona de Leitura.
A atividade explorou a fotografia como linguagem visual a partir da palavra, promovendo percursos individuais de interpretação do espaço urbano e da linguagem escrita.


Passeios Fotográficos “Este Lugar em 3 Postais”

Realização de passeios fotográficos nos meses de julho, agosto e setembro, orientados para o desenvolvimento do olhar criativo, leitura do território e construção de pequenas narrativas visuais, reforçando a prática regular e informal da fotografia.


Agosto

Visita de estudo — “Un Reino Maravilloso”

Visita orientada à exposição Un Reino Maravilloso, do fotógrafo José Manuel Navia, dedicada à análise crítica da fotografia documental e à reflexão sobre memória, território e identidade, integrada na estratégia de formação informal do MEF.


Edição do livro “O que pode uma imagem falar”

Publicação que reúne os trabalhos desenvolvidos por jovens em contexto de internamento em centros educativos, afirmando a fotografia como ferramenta de expressão, descoberta e transformação pessoal.


Setembro

Programa BIP/ZIP Lisboa 2025

Presença institucional do MEF na cerimónia de assinatura dos protocolos do Programa BIP/ZIP – Parcerias Locais, reforçando o compromisso com projetos comunitários em contexto urbano.


25 anos do MEF — Nova identidade gráfica

Apresentação pública da renovação da identidade gráfica do MEF, assinalando 25 anos de existência. A nova imagem foi assumida como continuidade e atualização estratégica, projetando o futuro da associação sem romper com a sua história.


Mercado de Autor

Participação na CASA – Laboratório de Criação, Parede (Cascais), com apresentação de projetos editoriais e fotográficos do MEF.


V Mostra de Autores Desconhecidos

Participação com quatro obras fotográficas (Luísa Lima, Maria Emília, Marta Jordão e Paulo Neves), numa iniciativa de responsabilidade social promovida pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais.


Conversas no MEF

Sessão de diálogo com o fotógrafo João Vasco, integrada no ciclo Conversas no MEF, dedicada à partilha de percursos autorais e reflexão sobre a prática fotográfica.


Outubro

Projeto “Histórias do Povo Cigano

Inauguração da exposição e apresentação do documentário do projeto Histórias do Povo Cigano nos Jardins do Bombarda, em parceria com o Imago Lisboa Photo Festival.

  • Entidade promotora: MEF
  • Entidade parceira: Costume Colossal
  • Apoio financeiro: Direção-Geral das Artes / República Portuguesa – Cultura

Projeto “O que pode uma imagem falar” — Mostra pública

Inauguração da mostra no Arquivo Municipal de Lisboa / Fotográfico, culminando um projeto desenvolvido entre abril de 2023 e julho de 2025 em três centros educativos:

  • Centro Educativo Padre António Oliveira (Caxias)
  • Centro Educativo da Bela Vista (Lisboa)
  • Centro Educativo Navarro Paiva (Lisboa)

Projeto com apoio financeiro do novobanco, através da campanha Contas com Gestos que Contam.


Exposição “Retratos Cruzados – Identidade e Encontro em Imagem”

Torre do Tombo, em Lisboa, com a Comunidade Vida e Paz nas II Jornadas CONSTRUIR FUTUROS, em exposição “Retratos Cruzados – Identidade e Encontro em Imagem“, onde os utentes da Unidade Integrativa para Pessoas em Situação de Sem Abrigo foram convidados a assumir, alternadamente os papéis de fotógrafos e fotografados. Um projeto produzido pelo MEF com a CVP.


Mercado P’la Arte

Presença no Mercado P’la Arte, no Braço de Prata, Lisboa.


Início da formação “Narrativa Fotográfica com Laboratório Preto e Branco”

Ação formativa centrada na encenação da imagem, experimentação e utilização do papel fotográfico como suporte narrativo.


Início do Projeto Comunitário “Diários de Lisboa

Projeto de fotografia comunitária com seniores de Marvila, Carnide e Misericórdia, envolvendo processos de co-criação, produção de diários visuais, exposições, publicações, jornal comunitário, documentário, jogo de cartas e arquivo visual online.


Participação nas Oficinas de Práticas artísticas em contexto prisional  (Acesso Cultura e Fundação Calouste Gulbenkian). Práticas artísticas em contexto prisional propôs uma reflexão sobre o papel dos projetos artísticos realizados com pessoas em regime de privação de liberdade.


Participação na formação “Criação de Projetos Artísticos Participativos”, integrada no programa Atos (Teatro Nacional Dona Maria II, República Portuguesa – Cultura e Fundação Calouste Gulbenkian). Ação de formação de Criação de Projetos Artísticos Participativos, em Lisboa, no âmbito do programa ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian, realizada em 10 sessões, distribuídas por 8 módulos, num total de 60 horas.


Novembro

Edição do n. 6 da Revista TEMA – Cultura: Percepções e Documentos.

Agora na sua terceira geração, com um novo rosto e uma nova identidade, a TEMA avança para o número 6 mantendo-se no plano físico mas adoptando o formato informal de Zine. 


Curso de Iniciação à Fotografia 

Início da segunda edição do Curso de Iniciação à Fotografia, reforçando a procura e a consolidação da oferta formativa do MEF, mantendo a estrutura teórico-prática, saídas fotográficas e laboratório preto e branco.


15.ª Feira do Livro de Fotografia de Lisboa

Participação e apresentação do livro do projeto O que pode uma imagem falar, reforçando a presença editorial do MEF.


Início do projeto “Imagens In-Visíveis

Projeto dedicado à acessibilidade da imagem fotográfica para pessoas cegas ou com baixa visão, combinando investigação, criação artística, formação e desenvolvimento de soluções tácteis e participativas.


Presença na FULMINANTE

Participação em evento cultural e editorial, promovendo a circulação pública dos projetos do MEF.


Visita guiada à exposição “O que pode uma imagem falar”

Sessão de mediação no Arquivo Fotográfico de Lisboa, dando centralidade à voz dos jovens autores e ao processo de criação.


Dezembro

A Parangona

Presença do MEF na feira A Parangona, no Mercado de Arroios.


Lançamento em formato digital da revista do projecto “Histórias do Povo Cigano

Publicação editorial reunindo retratos e imagens do processo criativo desenvolvido com a comunidade cigana, a partir de 11 histórias.


Encontro de acompanhamento de projetos — DGArtes

Participação institucional no I Encontro de acompanhamento de projetos com a Direção-Geral das Artes.


Intervenção académica no ISCSP

Participação no curso de Antropologia do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, na sessão A sala de aula é território vivo.


Síntese Final

Em 2025, o Movimento de Expressão Fotográfica afirmou-se como uma estrutura cultural consistente, articulando formação, criação artística, edição, investigação e intervenção social, mantendo um equilíbrio sólido entre memória, território e inovação.