
Voltar onde já fomos felizes? Claro que sim, voltamos sempre. O workshop tem como objectivo a realização de um projecto fotográfico sobre a cultura Marroquina e é orientado por uma equipa de dois formadores do MEF, que acompanham os projectos individuais a desenvolver pelos participantes. O workshop consiste na realização de um trabalho documental a ser realizado em cidades e aldeias de Marrocos. O workshop incide no método de aprendizagem através da prática, explorando a vertente estética da imagem e o seu carácter documentalista. A exploração fotográfica aponta diretamente na orientação do documentário sócio-cultural ilustrando o modo de vida da população local.

Marrocos – Um território de criação fotográfica documental
Desde 2013, o Movimento de Expressão Fotográfica (MEF) tem promovido em Marrocos uma série de workshops de fotografia documental, proporcionando aos participantes uma experiência de imersão cultural e artística em territórios profundamente marcados pela diversidade humana, paisagística e simbólica.
O Workshop de Fotografia Documental em Marrocos tem sido uma proposta formativa e experiencial centrada na prática da fotografia como forma de observação, escuta e documentação do quotidiano.




A Imagem Como Encontro




Sempre que possível, no decorrer das viagens que integram os nossos workshops de fotografia documental, regressamos ao encontro das pessoas retratadas para lhes entregar algumas das imagens realizadas. Este gesto simples reforça a ética relacional do nosso trabalho: fotografar é também devolver, é reconhecer no outro o direito à imagem e à memória partilhada.
Viajar, observar, fotografar: o espírito dos workshops MEF em Marrocos
Viajar em grupo, no contexto dos workshops promovidos pelo MEF, é muito mais do que percorrer geografias: é partilhar vivências e aprendizagens num ambiente de permanente descoberta e convivência. Cada deslocação representa um exercício coletivo de atenção e empatia — um espaço onde se dorme e acorda em lugares sempre novos, onde o riso se torna linguagem comum, onde se sonha em voz alta e se explicam escolhas fotográficas como quem revela um gesto íntimo.
Na viagem fotográfica, permanece o essencial: a experiência vivida em conjunto e a memória de uma mesa diária rodeada de amigos, onde a beleza de viajar reside tanto nos encontros com a população local como nas imagens que deles nascem.

Este espírito de proximidade atravessa também a abordagem fotográfica proposta pelo MEF. O contacto com o território e com os seus habitantes é frequentemente iniciado através de espaços do quotidiano local — como cafés, lojas, tabernas, mercearias ou zonas de recreio — permitindo um primeiro reconhecimento da comunidade, numa lógica de aproximação respeitosa.
“Costumo iniciar o contacto com a cultura local através dos seus espaços comerciais. Disfarço assim a minha timidez da primeira abordagem. Um dos motivos que me atraem são os jogos de tabuleiro e de cartas – que são um bom ponto de partida para o estabelecimento de relações e de pedido de permissão para fazer a imagem. Costumo observar durante algum tempo, sem fotografar, apenas a tentar perceber as regras do jogo e a colocar a minha presença visível. Se a palavra o permitir, também converso. Só depois fotografo.”
— Luís Rocha
Este método de trabalho — assente na observação paciente, na escuta atenta e no respeito mútuo — sustenta a produção de imagens com profundidade documental e ética relacional. São estas imagens que alimentam os livros, as exposições e as narrativas visuais que o MEF tem vindo a construir em torno de Marrocos: não como um destino turístico, mas como um espaço de relação, de questionamento e de criação artística partilhada.
Seis edições, múltiplas geografias, uma experiência comum
Desde 2013 a 2019, o MEF organizou seis edições do Workshop de Fotografia Documental em Marrocos, envolvendo dezenas de participantes, cada um com o seu olhar, percurso e sensibilidade. As viagens fotográficas já percorreram cidades e aldeias como Meknes, El Jadida, Safi, Essaouira, Casablanca, Marrakesh, Imlil, Asni, Chefchouan, Mazagão, Ait Benhaddou, Tanger e Errachidia, cruzando o deserto, a montanha e o litoral atlântico, em diálogo próximo com a cultura e as comunidades locais.
Quatro livros, quatro exposições, quatro testemunhos visuais coletivos
Destas experiências nasceram quatro edições fotográficas, que documentam, sob diferentes perspetivas, as múltiplas vivências dos grupos participantes:
KTABNA (2015)

Resultado da primeira viagem a Marrocos. Este livro coletivo reúne 16 autores e foi apresentado como uma narrativa visual íntima e direta, onde o quotidiano se revela através da simplicidade dos encontros.
- Lançamento do livro e apresentação pública, Espaço Cultural das Mercês, Lisboa (2015) . Instituto Politécnico de Beja (2016)

TARIQ (2016)

Palavra árabe que significa “caminho”. Reflete a jornada do grupo que participou no workshop de setembro de 2015, reunindo 15 autores.
- Lançamento do livro e apresentação pública, Galeria Arte Graça, Junta de Freguesia de São Vicente.

NO PASA NADA (2017)




Um projeto que cruza 11 olhares num testemunho coletivo sobre a vivência em Marrocos, enquanto experiência de descoberta, identidade e comunidade.
- Lançamento do livro e apresentação pública, Biblioteca Camões, Lisboa.

UMA HISTÓRIA COMUM (2018)




Um projeto que cruza 11 olhares num testemunho coletivo sobre a vivência em Marrocos, enquanto experiência de descoberta, identidade e comunidade.
- Lançamento e apresentação pública, Logradouro da Bempostinha, Lisboa.

Exposições complementares e partilhas públicas
Além das exposições associadas às publicações, o MEF promoveu a divulgação dos resultados destes workshops nomeadamente através de conversas com os autores em diversas eventos ligados à fotografia de viagem.
