‘Grijó de Parada 1972’ é um projecto de recolha documental que eu comecei em 2009.

Durante a minha licenciatura em Antropologia fui desafiado a fazer trabalho de campo nesta aldeia do concelho de Bragança. Foram 12 dias em que vivi neste lugar que viria depois a visitar periodicamente. 

Interessei-me por um filme que foi filmado nos anos 70 – o documentário de Manuel Costa e Silva ‘Festa, Trabalho e Pão em Grijó de Parada’. O mesmo tem um impacto importante nos habitantes da aldeia até aos dias de hoje. Em 2010 filmei os mais velhos a verem-no e observei os seus discursos, a sua forma de agir, lembrar os tempos antigos – a nostalgia. A maior parte destes já faleceu e eu viro—me agora para a forma como o filme impacta na geração seguinte. Como perdura a memória deste filme dentro da comunidade? Qual a relação dos habitantes com a sua própria imagem, e da aldeia com a forma como a sua história é reproduzida pelos de fora?

O filme de Costa e Silva foi o ponto de partida do meu trabalho e estabelece um paralelismo com as imagens que continuei a recolher. Mas estas vão sobretudo inventariando o meu percurso e as relações pessoais que lá criei. Ao mesmo tempo, prestam-se em pequena escala ao desafio que é mapear a mudança num território tão distante do centro.

Bruno Grilo