Colaboração MEF / Super Foto Prática
Publicado na Secção Revelações da Revista Super Foto Prática nº135 Ano XII Março 2009Nuno Morais - Revista SFP nº 144 Ano XII Dezembro 2009
Cascais | 1978
Formação – Movimento de Expressão Fotográfica
“Guia Turístico”A Fotografia é uma forma de obter registos que servem como fonte documental. O trabalho de Nuno Morais ressalta o uso e a importância da fotografia como instrumento de registo de memórias numa lógica de preservação da viagem e o assumir da presença do turista no local em que é fotografado. Os fundos ao se encontrarem desfocados apontam para a sua não importância enquanto local visitado, mas assumem um papel fundamental numa postura quase narcisista do turista, aqui representado pelo boneco “Playmobil”.
<<Os “auto-retratos turísticos” são uma espécie de vício, pois o turista procura consecutivamente a visita ao maior número de locais e respectiva obtenção de imagens e o seu aparecimento nas mesmas, podendo assim notabilizar-se a si próprio e poder ser notado (e invejado) pelos outros, já que naquelas imagens o importante é o “Eu”; “Eu” estive! “Eu” visitei! “Eu” fui! … “Eu” apareço nas fotografias! Criando uma relação presente/passado já que a sua visita fica registada para o futuro.>> Nuno Morais.
Este projecto “Guia Turístico” encerra em si toda uma complexidade social, não é a fotografia enquanto técnica ou forma de arte que aqui se encontra em discussão, antes pelo contrário é o seu uso enquanto memória e esquecimento que o autor trabalha neste projecto. Qual é verdadeiro sentido da fotografia enquanto registo de situação? Para que fotografamos? Qual a minha identidade perante a câmara fotográfica? É a fotografia fiel representante do real? Nuno Morais, coloca as anteriores questões provavelmente sem ter procurado nenhuma resposta, coloca-as numa necessidade de registar as suas viagens e de as colocar num álbum, diga-se de álbum de viagens.
É neste acto do fotógrafo que ao querer fixar o tempo e a visita a uma cultura, deixando um registo desse presente, e que nesse mesmo instante fotografado torna-se passado, que o medo do desaparecimento e a necessidade de preservar o tempo vivido faz deste trabalho de Nuno Morais um projecto de preservação do momento fugaz que não tem retorno, atribuindo assim à fotografia esse papel de “verdade visual”.Luís Rocha (Movimento de Expressão Fotográfica)