| Mário Chainho (1975 - Setúbal)
(Revista SFP nº 139 Ano XII Julho 2009)O Movimento de Expressão Fotográfica e a Reitoria da Universidade de Lisboa promoveram em Maio passado o 2º Workshop de Fotografia de Teatro, no âmbito do 10º Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa - FATAL 2009 para o qual foi constituída uma equipa de 20 fotógrafos para a cobertura fotográfica do festival.
Na impossibilidade de colocar aqui todas as imagens que compõem o portfolio produzido durante o festival, destacamos o trabalho fotográfico de Mário Chainho pela diversidade da conceptualização das imagens produzidas.
Formação: Oficina da Imagem
Na fotografia de teatro o instante fotográfico dá-nos a dimensão do tempo, congelando o espaço da acção numa relação estabelecida entre o fotógrafo e o actor e permite ao fotógrafo materializar a sua própria concepção da peça encenada.
As imagens de Mário Chainho encerram em si todo um jogo de ruptura com a formalidade fotográfica, elevando o seu discurso fotográfico à própria encenação do instante fotografado, não se restringindo assim ao mero registo fotográfico das peças de teatro.
Analisando a criação do movimento no momento fotografado, as imagens realizadas por Mário Chainho durante este festival de teatro levam a uma procura da nossa parte do espaço em que as mesmas foram obtidas, como se nos esquecêssemos do instante fotográfico e presenciássemos uma pequena parte de toda a encenação transportada para uma espécie de narrativa fotográfica num só fotograma.
Também na construção de imagens em que a luz assume um protagonismo revelador da sua importância, o autor presenteia-nos com interpretações assentes numa não-realidade da peça fotografada num jogo de encenação dentro da própria encenação.
O acto fotográfico, a partir das imagens de Mário Chainho, pode ser aqui entendido como se fosse um registo dos momentos experimentados ao longo de toda a peça confinados naquele instante.
Luís Rocha (Movimento de Expressão Fotográfica)