Bruno Mendes - (Revista SFP nº 142 Ano XII Outubro 2009)
“Paisagens Banais”
Lisboa | 1977
Formação – Movimento de Expressão Fotográfica
As imagens aqui presentes são fruto de um processo fotográfico conhecido por Pinhole, fotografia realizada sem o auxílio de lentes, fotografia estenopeica.
A fotografia Pinhole é realizada a partir do princípio da câmara obscura ou a partir de qualquer caixa que possa ser estanque à luz, em que a luz entra através de um pequeno orifício (pinhole = buraco de alfinete) e projecta uma imagem invertida na parede oposta à do furo pinhole, formando assim uma imagem que pode ser guardada através de um negativo em papel ou em película. Este processo caracteriza-se acima de tudo pela liberdade interpretativa e estética e permite uma grande liberdade de composição (a maioria das máquinas pinhole não possui visor, o que leva a que a composição acabe por ser uma aproximação à ideia original), originando assim fotografias em que o lado autoral das mesmas fica bastante patente.
Bruno Mendes, fotógrafo assíduo do processo pinhole oferece-nos neste trabalho de “Paisagens Banais” a sua procura da intemporalidade do tempo, onde usa o arrastamento do assunto fotográfico beneficiando das velocidades lentas de exposição à luz para jogar com a temporalidade da própria fotografia, trabalhando o não-instantâneo inerente ao processo pinhole.
A fotografia deve ser considerada aqui como uma ferramenta de construção de um olhar sobre o assunto que se encontra fotografado transpondo-o para as duas dimensões do registo fotográfico, recriando a partir do tempo que a fotografia está em pose um outro cenário, permitindo ao espectador uma nova visão do espaço já conhecido.
As imagens de “Paisagens Banais” na realidade não existem, a fotografia reinterpretou todo o cenário, só o autor das mesmas teve de facto acesso à realidade da situação fotografada, onde as distorções características do processo fotográfico pinhole eram inexistentes na tomada da imagem.“Em todos os rolos que tirei com a minha zero image, houve sempre uma ou outra imagem que me despertou um sorriso e que me surpreendeu. Lugares comuns passaram a ser especiais e portadores de uma "mística" muito própria. E isto apenas graças a uma simples caixinha de madeira”. Bruno Mendes.
Luís Rocha (Movimento de Expressão Fotográfica)
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