| Galeria

Um Fotógrafo por Mês
A Galeria MEF tem como objectivo prestar aos nossos sócios, alunos, amigos e companheiros de viagem um local de troca de experiências e de olhares.

 



| Lightness
por Liliana Laranjo

“No mundo do eterno retorno, todos os gestos têm o peso de uma insustentável responsabilidade. Era o que fazia Nietzche dizer que a ideia do eterno retorno é o fardo mais pesado. Se o eterno retorno é o fardo mais pesado, então sobre tal pano de fundo, as nossas vidas podem recortar-se em toda a sua esplêndida leveza. (...) O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. (...) Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é. Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.”
Milan Kundera – A insustentável leveza do ser

O eterno retorno tem como premissa básica a de que a vida humana é um ciclo de eventos, sendo que todas as coisas na existência recorrem infinitamente, para a eternidade (a finitude das possibilidades opõe-se à infinitude do tempo).
Esta problemática é evidenciada em “A insustentável leveza do ser”, onde é apresentada uma dualidade entre peso e leveza, nas fronteiras do existencialismo. A leveza assume, assim, a forma de liberdade, sendo as acções e os movimentos revestidos de uma aura de insignificância, decorrente do seu não-significado.

“Lightness” surge neste contexto ambíguo, de repetição versus inovação, e liberdade versus determinismo, representando ao mesmo tempo a fugacidade de cada momento e, no sentido inverso, a possibilidade do mesmo ser capturado e guardado como objecto físico. Aqui, a efemeridade e evanescência das acções contrastam com a possibilidade da sua permanência no tempo. Cada movimento é único, livre, dificilmente repetível em toda a sua plenitude, daí a motivação para o reter. Esta liberdade e ausência de limites eleva a imaginação a planos superiores, onde o mundo onírico se confunde com o real, apresentando-se como fio condutor a ideia de que não há significado que possa ser encontrado em algo, além daquele que nós próprios lhe damos.


 


 

| Mestre Alfaiate
por Luis Conde

Um passeio solitário por Alfama e um sentimento de querer atravessar aquelas paredes já tão conhecidas. Ao passar por uma loja, daquelas em que sempre que passamos espreitamos pelo canto do olho, e que já tinha espreitado em passeios anteriores, decidido, resolvi entrar e, com a maior ingenuidade do mundo, pedir ao Sr. Alfaiate que lá estava que me deixasse fotografa-lo. Quando por fim saí, pensei na malandrice do Sr. Carlos, como exibia orgulhoso a revista do Inatel onde aparecia garboso nas fotografias e citava a frase lá escrita que por mais de uma vez repetiu: "Antigamente fazia o que podia, hoje faço o que posso.", do mesmo modo que exibe, na parede por trás de si, a quem entra um calendário tal qual os das oficinas de automóveis, daquelas igualmente antigas. Como de início se sentiu relutante em ser mais uma vez fotografado, como se as fotografias da revista lhe bastassem, ou as em que aparece com os netos, ou o facto de ser o último alfaiate no bairro ter esse atractivo saturante de ter fotógrafos, mais ou menos entusiastas, a entrar pela sua loja praticamente todos os dias. Fui pensando nisso e muito mais pelas ruas estreitas, que entretanto já não me pareciam tão vazias. Lisboa, Novembro de 2008

 


 

| Sem título
por João Sollari Matos

Esta série de imagens partiu de uma ideia inicial de cama sem molas, suspensa em hábitos intemporais. Pensar a cama como um lugar pessoal e transmissível, seguindo a premissa:
"O recanto da paixão e reconforto na solidão, o domínio da inércia ou de boémia na intoxicação."

 


 

| Até Insectos mais Fortes Queimam as Asas
por Andreia Neves Nunes

Este projecto representa a minha forma de captar a imagem da Lisboa personificada de todas as histórias que ouvimos e que vemos no dia a dia, numa tentativa de mostrar a clássica Lisboa tão presente e actual como sempre foi. Sem se emaranhar nas suas tradições e no seu passado mas tão enamorada de tudo o que lhe é característico. Como base desta representação estão as histórias e relatos contados pela minha avó e a minha mãe, de uma amiga de família que nunca cheguei a conhecer. Para a ‘recriar’ foram utilizadas algumas cartas suas e fotografias, assim como objectos pessoais que passaram para a nossa família.

 


 

| Os meus auto-retratos
por Pedro Bizarro

Afasto-me e a obra surge. Cada um sabe de sí e cada qual se desamerda. Não lhes peço (ou dou) justificações. Não os controlo pois são o que querem ser. Interfiro como espectador ausente do meu trabalho.

 


 

| Relatos falsos para um falso diário.
por Luis Rocha

Neste trabalho propus fotografar o dia-a-dia mais íntimo dos meus amigos.

A opção de não mostrar caras tem como príncipio dois objectivos: o de preservar e salvaguardar a imagem de quem se disponibilizou a colaborar no projecto e o de retratar o nu enquanto nu e de não o identificar através de uma identidade, permitindo assim que o corpo não passe de um simples corpo.

Ao longo do trabalho e das histórias que intimamente desenvolvi com os fotografados, fui preenchendo um bloco de notas, daí saiu "relatos falsos para um falso diário" do qual o trabalho que aqui apresento é parte integrante.

Luís Rocha

 


| Floresta estrada fora
por Pedro dos Reis

Ano após ano, durante o verão, em Portugal, as notícias abordam a problemática dos fogos florestais.
A desertificação das áreas rurais do País, assim como o não-tão-pleaneado urbanismo aumentam a percepção do facto das florestas serem mais uma memória de infância...para alguns.

Year after year, during summer, at Portugal, the news talk about forest fires.
The desertification of rural areas of the country, as well as the not-so-planned urbanism enhances more the fact of forests became more a childhood memory...for some.

 

 

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